terça-feira, 9 de junho de 2015

A língua que me lambe e os lábios que me sorvem. A cara enterrada entre as minhas pernas, lambuzando-se de mim e fazendo-me arquear as costas ao som da minha feita-forçada-muda loucura. A barba que me arranha e me encarnece a pele. O orgasmo destruidor e os meus espasmos na boca dele, que me bebe até à ultima gota. O levantar súbito, ainda meio zonza e a procura desenfreada pelo sexo dele que quero engolir. O cheiro, o sabor, as gotas de desejo. Desisto rapidamente de provocar porque preciso saciar a minha fixação e ele não aguenta mais. Tomo-o inteiro até à garganta. As mãos dele que agarram os meus cabelos e forçam um pouco mais. O revirar de olhos dele. O deixar cair da cabeça para trás. O subir para cima dele sem aviso prévio, e dançar-lhe freneticamente em cima até me vir nele. Uma vez. Duas vezes. À terceira, arrasto-o comigo e cravo-lhe fundo as unhas no peito, enquanto ele me tapa a boca para não gritar.
Desencaixo-nos e ficamos ali, no melhor dos silêncios que possam existir.
Ele adormece, mas o meu velocímetro não abranda. Na penumbra, com a cabeça virada de lado, olho para ele enquanto deixo escorregar os dedos pelo meu íntimo, encharcado de mim e dele. Levo-os à boca e chupo-os. Quero mais. Tento contrariar, mas de imediato surgem-me mil imagens na cabeça e a pulsão entre as pernas é violenta. Revejo-o a ele. Os últimos minutos, e outros mais antigos. Coisas que me ficam e que nunca esqueço. O meu cabelo agarrado com toda a força fazendo-me curvar a cabeça para trás. A mão bruta que dá palmadas no rabo empinado. O olhar desesperado na direcção do meu. A minha súplica para que me encha de prazer até me fazer sentir dor. O ser agarrada, beijada, lambida, mordida como um objecto de prazer. O peso súbito do corpo forte dele sobre o meu. As ancas frenéticas e as pernas enlaçadas. A pele molhada esfregada contra a minha. Marcas vermelhas e unhas cravadas. O fôlego exasperado dele no meu pescoço e o uivo descompassado no meu ouvido. O grito que ele me obriga a dar e a investida final. O leite quente dele que me encharca por dentro. Tenho-me nas mãos. Sei que assim não vou conseguir dormir. E já decidi que ele também não.