terça-feira, 23 de junho de 2015

Cravou-lhe os lábios vermelhos corpo fora, como quem marca o território que é seu. A pertença dos instintos mais básicos e incontroláveis daquelas duas peles continuava a ser certa, não interessava quantas mãos as usassem e abusassem.
Vestiu o diabo nas meias pretas rendadas que lhe adornavam as pernas até à coxa, e no cabelo negro e comprido, que lhe emoldurava a pele branca, nua.
Enredou-o a ele, na teia, atraindo-o, até cegá-lo a tudo o resto. Envolveu-lhe a carne no veludo quente da sua boca e fê-lo sentir com a mão o quanto estava pronta, oferecendo-lhe em seguida os seus vazios para que ele os preenchesse. Satisfez-se de forma egoísta e sem culpa, não contou quantas vezes, mas a plena saciedade só chegou, quando sentiu o prazer dele escorrer-lhe pelo peito em trilhos de inquestionável e ardente gozo. Lambeu-lhes o sabor da ponta dos dedos, e guardou-o para si, quase como um segredo.
Já recomposta, despiu para ele, peça por peça, a pele daquela estranha. Tomaram um duche e bateram a porta sem olhar para trás. Aquela outra mulher ficaria para sempre ali, algures na energia inquietante daquele quarto e no cheiro daqueles lençóis.