terça-feira, 16 de junho de 2015

Prometi ficar quieta. Só ali, deitada, olhos a varrerem-lhe o corpo, queimar e enlouquecer por dentro. Não há duas vezes iguais. A mão, sempre assertiva ao ponto certo, já sei de cor, tão diferente de mim, que preciso sentir-me por inteiro para me saciar. Vou cumprindo a promessa. Olho só. Os dedos que não aguentaram muito por cima do tecido e já agarram na carne. Tenho física e química a que prestar atenção e, divido-me, não querendo perder nada. As palavras são breves, e tento não me deixar distrair pelos pensamentos que me surgem enquanto estou ali. Tudo se passa na minha frente, mas eu prometi não usar o meu corpo para comunicar...nem para satisfazer.
Os gestos ficam brutos, os músculos da barriga contraem e descontraem, o meu peito que enche uma das mãos de repente...não era suposto, mas não me afasto. Não agora. Ponho a minha por cima da dele e faço-o sentir(-me) mais. Chego mais perto. Sinto-lhe o cheiro da pele em brasa, o calor no pescoço, não seguro a boca a beijo-o. Retiro-me antes que me perca de vez. Concentro-me. Sinto o aproximar, o fim que ele vê como alívio e eu...como recomeço. Vejo os dedos. Vejo os olhos. E os dedos outra vez, que no  segundo a seguir se encharcam e me fazem sede. Quero sentir-lhe o prazer com as mãos, mas por agora, detenho-me só como espectadora...
Espero o peito acalmar e recebo o virar de jogo como um desafio.
Trocamos?