sábado, 13 de junho de 2015

Puxo de um cigarro. É o terceiro em menos de uma hora. Enquanto o primeiro fumo me sai pela boca, penso rapidamente no quanto só consigo viver assim. Sou compulsiva em tudo o que faço. Só sei tirar partido se viver assim, à bruta e sem comedimento. Só sei querer com desespero. Só sei amar com todas as doses de loucura inerentes. Preciso de sentir o limite bem próximo para ter na boca o sabor das coisas. Em certos momentos culpo-me por isso. Talvez por ser tão obsessiva e por de certa forma arrastar comigo quem de mim se aproxima. Por obrigá-los a compartilhar dos meus delírios. Por querer que se sintam tão no fio da navalha e tão insanos quanto eu. 
Estou como gosto. A escrever na rua, no meu sítio favorito, sentada com uma perna encolhida por baixo de mim, e de cigarro na boca. O cigarro mata. Mas viver, também mata. E viver numa cabeça como a minha às vezes parece matar mais do que a vida. Não peço a ninguém que me perceba. Eu vivo, mas não quero compreender-me. Prefiro assim. 
Sei que há coisas  que provavelmente não deveria fazer, mas não consigo. Não consigo parar.
Não consigo sossegar, fechar os olhos e ficar quieta,simplesmente. Em mim, tem que haver sempre algum movimento.
Bênção e maldição. Ideias desarrumadas que contrastam com sentimentos tão límpidos. Viver numa cabeça que é uma plena comunhão de contrários é um jogo em que parecem estar-nos sempre a baralhar as peças…