terça-feira, 27 de outubro de 2015


No peito, o ar ainda corre em frenesim. No meio das pernas, o sexo, satisfeito. Tento aquietar-me. Fecho os olhos e gozo a sensação de ter o teu peito a ferver, colado às minhas costas, em busca de um merecido descanso. Deixo-me ir. Ouço a minha respiração, e depressa percebo que não vou conseguir dormir. Perco-me. Relembro, revivo, continuo alerta…e desperta. Amaldiçoo este desassossego que parece nunca me largar. Quase posso sentir a minha pele eriçar-se a cada nova imagem que me surge na cabeça, e quando dou por mim, a tua mão pousada na minha perna e o fôlego em brasa contra o meu pescoço, parecem-me uma provocação insuportável. Devagar, esfrego o rabo contra ti, e aguardo a reacção. Continuo. Quando já começo a pensar em mudar a minha estratégia, os teus dedos descem por mim e agarram-me num movimento repentino. A surpresa faz-me suspirar mais alto do que devia, mas é impossível ignorar a violência com que a sinto pulsar contra a tua mão. Fode-me. Outra vez. Fode-me toda. Sem dó nem piedade. Até perderes as forças. Abro as pernas e ofereço-me. O rasgar é ardente e intempestivo, como dita a loucura. Entrego-me ao momento e não quero que nenhuma sensação me escape. Sinto, nos nossos corpos, ainda o cheiro do sexo que tínhamos quase acabado de fazer e a ira deste que fazemos agora. Procuro as tempestades mais violentas e deixo-me arrastar em todos os delírios que me impões. A febre só baixa quando o corpo pede clemência. Sossegamos. Sossego. Agora sim.