sexta-feira, 23 de outubro de 2015

O meu corpo viaja e lembro-me...dela.
As sardas de menina...os demónios de mulher. A gargalhada traquina e o olhar intempestivo. Perco as horas debaixo do meu edredon branco, num fim de tarde fora de rotina, frio e com chuva à mistura.
Na ponta dos dedos, o calor da minha própria pele. Na cabeça, o fogo que (ainda) me desperta. Conduzo a mão pelos retalhos que tenho dentro de mim. Cheiros, sabores, momentos, impulsos, imagens que se tatuaram sem pedir licença... 
Sinto a carne aflita e no instante seguinte o corpo estremece-me, violento, contra os dedos. Enquanto espero o fôlego acalmar, puxo o edredon e aninho-me mais. Fecho os olhos e adormeço um pouco. De sorriso saciado, acredito, pela beleza brutalmente simples das coisas, às quais, provavelmente morrerei, sem conseguir atribuir nome.