quinta-feira, 8 de outubro de 2015

O vento leve de Outono sopra sobre as feridas e reacende, por momentos, algumas dores. Até parece que já te esqueceste de como os corações selvagens fazem sempre vítimas por onde quer que passem...
Quem é pior? Tu e esse ópio que te domina, ou o tempo que, impiedoso, te ensurdece com as badaladas loucas de um relógio que queres parar e simplesmente se ri na tua cara? Quem se queima em labaredas, nunca se habituará às cinzas. Ficará sempre no ar, este ou aquele segundo em que as saudades do que não se viveu cravam os seus dentes afiados, na carne.
Há um peito para encostar a cabeça, uns dedos que se enterram no cabelo e um coração para ouvir, lá, dentro da armadura. Mas há também uma voz, um sussurro que sopra imagens tão vivas e que trazem à memória sentimentos tão transparentes que ainda nos desenham no rosto um sorriso aberto. Dolorido, mas sempre um sorriso.