quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Pela primeira vez em tempos, por dentro do peito duro, encontro(-lhe) um coração sossegado. Passo uma vez e outra a mão, sei que desta vez, não para acalmar o desejo, mas para ter a certeza de que dentro dele reina a paz. Não sei nada sobre o amor, mas talvez além de mares revoltos, também nisso dos amores, caiba esta coisa de conseguir respirar mais devagar por saber que noutra carne o sangue, igualmente, pulsa mais sereno nas veias.
Procuro a boca, mas acabo por deixar que seja ela a invadir-me, sem lhe resistir. Quero que me conte sem pudores os segredos que tem guardados, e que ditos por palavras perderiam todo o seu significado. Arranca-se, lá de dentro, o vermelho vivo e quebram-se algemas, esquecem-se as normas e as regras, e puxo para mim, o seu lado mais instintivo, impensado e cru. É o "ele" dele no seu estado mais puro, e que, sem questionar, me faz saber o quão ´nu´ se mostra para mim, sem lugares comuns ou amo-te´s tremidos à beira do orgasmo.
A adrenalina cresce da desconstrução e da curva cega, tatua-se nas marcas rosadas marcadas em brasa na pele e o prazer nasce simplesmente disso. De nós, do que temos e da dose de inferno e de céu que conquistámos por direito.