terça-feira, 3 de maio de 2016

(...)
Sabes para que vive a minha escrita? Para saber que em algum momento, uma palavra, uma expressão, uma memória ou uma fantasia, te obrigaram a procurar a solidão e a aliviares a tua carne de uma te(n)são insuportável.

Para de uma forma ou de outra, mais ou menos velada, me fazeres sentir que jamais serás capaz de olhar para uma mulher com traços meus, sem que o fundo do teu corpo te pulse e tu nada possas fazer para calá-lo.

Para que sempre que ouças o meu nome, desenhes as minhas curvas na tua cabeça. O jeito como os meus cabelos pretos compridos me caem sobre a pele quando estou nua. O cheiro do perfume que eu uso. A forma como olho para ti e para o mundo. O meu tom de voz.

Para que me leias e releias. Uma e outra vez. E te inflames sempre no mesmo ponto. Para que uses os meus pensamentos ou confissões como uma masturbação mental à qual não te apetece resistir. Para que algo em ti comece a se tornar insaciável por mais. 

Para te sentir perto. Dentro de mim. A viver algures nas minhas entranhas. Para que, se fechares os olhos, quase possas ter, em ti, o gosto do meu corpo. Ou que te pareça real, a qualquer momento do teu dia, as minhas mãos tocando-te por inteiro, ou a minha língua dentro da tua boca, provocando-te e convidando-te para mim.

Para que, por vezes, me sintas como um vício. Uma obsessão. Algo que talvez não seja natural. Para que algures em pequenos segundos de um ou outro dia teu, te questiones pela tua sanidade. Para que te perguntes se é normal teres alguém a correr-te no sangue assim, dessa maneira.
(…)