quarta-feira, 24 de maio de 2017


Dorida. Encharcada. Saciada. 
Imaginei-o dentro de mim no minuto a seguir a olhar para ele. 
Criei as minhas expectativas. 
Dedicado, esforçado e sobretudo, incansável. 
Lembro-me dos saltos dos meus sapatos a bater no chão enquanto caminhava para ele e da música que nos servia de fundo, a mesma que ainda me toca dentro da cabeça com a mesma violência com que as memórias desse dia me apertam as coxas.
Acho que me embriaguei algures no meu próprio desespero, por entre corpos suados e gritos sem censura. Apetece-me voltar lá. Ser outra vez aquela mulher a quem a carne só exige que se entregue.
(...)
Dormimos a tarde inteira. Abri os olhos às 17 como se fossem 8 da manhã. Deixei-o e enfiei-me num duche frio. Pensei em nada durante uns bons minutos com a água a correr e saí de cabelo a pingar. Ainda a dormir, toquei-o devagar. Cedi a um rápido volte face e vi o corpo dele no espelho a tomar conta do meu e a procurar o seu espaço dentro de mim, apagando-me todos os pensamentos.
(...)
As horas escorreram-nos da pele numa cama quente e desfeita.